Escrito por Tere Sarmento às 22h52
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UM DEDO DE PROSA
Música interior
A madrugada pousa fresca e monótona sobre o respirar do vento que inspira vida à noite.
Insone, recordo ocasiões que nunca aconteceram e que, no entanto, desfilam pela minha lembrança, tão vivas quanto outras reais que, talvez, jamais se repitam.
É que costumo brincar com o tempo e, na pintura desses fatos ocorridos no passado, matizo outros jamais vividos para compor um presente mais colorido, enquanto aguardo o inesperado que o futuro me reserva.
Divago no silêncio frio e não estou só: a música é minha companhia. Mesmo sem nenhum som no ar, estou sempre ouvindo música. É como se houvesse uma constante sonoridade bailando no meu íntimo. Sou preenchida de música. Ouço música de dentro para fora.
No momento,ouço alguém cantando “Eu te amo”- de Chico e Jobim - com um quarteto de cordas ... e me sinto levitar. Nada pode descrever com precisão a lindeza da voz em consonância com os murmúrios quase humanos dos violinos e do cello. Ah! Deus existe!
Enquanto isso, o céu violeta faz a noite cismar com o dia. Meus olhos começam a pesar sonolentos. Sei que, ao adormecer, vou sonhar com essas cordas todas - vocais e instrumentais - conversando entre si num diálogo pleno de harmonia que se evaporará de mim, musicalmente, pelo céu do amanhecer.
Escrito por Tere Sarmento às 21h51
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CANTINHO DA POESIA
Como seria?
E se tudo fosse verdade?
E se de tanto amar
Se pudesse morrer?
E se tanta fosse a liberdade
Que pudéssemos andar pela chuva
E correr pelos prados
Como dois loucos enamorados?
E se um só viver fosse pouco
E em outras vidas já nos tivéssemos amado?
E se fôssemos almas gêmeas
Que tarde nesta existência
Tivessem se encontrado?
E se o amor de antes
Até hoje tivesse durado?
E se tudo fosse possível?
Será que nos amaríamos em prosa e verso
Ou nos quereríamos ao inverso?
Escrito por Tere Sarmento às 21h38
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