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MEUS ESCRITOS
 

 

 

NA NOITE

 

Despisto a insônia escrevendo. Escolho as palavras com critérios de esperança. Pulsa, na minha cisma, um apalpar de imaginações tapeando a espera que não espera mais, mas que fica em mim como um cacoete.

Plena de dúvidas, experimento tocá-lo de alguma forma, espremendo as idéias para entornar a criatividade - como se meu cérebro pudesse ficar seco pela ausência de comunicação.

Trilho, através dos textos, caminhos diversos, trêmula de expectativa. Na tela da minha mente, pincelam-se, plasmam-se tênues lembranças nas quais acreditei e que se esfumam com o passar do tempo. Sustento, ainda, uma nostalgia sutil do que teria ouvido, se pudesse ter estado presente durante a madrugada, com a densidade maior que a música tem nesse período.

Ofegante, retenho essas imagens e sons, numa rala desconfiança de seu impedimento. Luto contra minha tendência em acreditar, porque se cresse, estaria de luto musical.

Atenta, percorro sua alma de maneira inglória e desperdiço meu léxico em cartas enevoadas de lágrimas que vertem por dentro, fazendo-me inchar de tristeza. Lanço meus sentimentos no papel e ingresso em jornadas várias, a fim de impedir que meu espanto - ante sua indiferença - me faça, um dia, deixar de escrever.

 

QUERIDÍSSIMOS AMIGOS

Com o escrito acima, encerro hoje a vida deste blog. Tenho estado ocupada demais e sem tempo para trocar o texto e, o que é pior, sem poder retribuir as visitas e comentários que vocês carinhosamente me fazem.

Estarei por aí, visitando vocês na medida do possível e um dia, quem sabe, eu volte a fazer parte deste mundo tão especial, onde encontrei os melhores amigos da minha vida.

Um beijo já saudoso a cada um de vocês e até breve.

Tere

 



Escrito por Tere às 03h24
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Este é um dos quadros de Mário Gravem Borges

site oficial: http://www.mariogravemborges.com



Escrito por Tere às 15h45
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AZUIS

(Tere Sarmento)

Para Mário Gravem Borges

(pintor campineiro que faz sucesso em toda a Europa)

 

Na tela da minha lembrança habitam os azuis das tuas telas. Ainda azulada, ao adormecer, tenho meus sonhos enlaçados por tuas pinturas, e tantos matizes em azul intimidam o surpreso azul do meu olhar.

Teu talento convoca a literatura a compor com tintas os quadros, quando usas figuras de linguagem que fazem de cada obra um poema que fala por si.

Agora, a cada vez que olho o céu, exploro suas nuances e luzes em busca da sintonia que ele, ao saber da tua arte, imita sem o mesmo encanto. A natureza testemunha na tua pintura os movimentos que ela mesma não oferece tão precisos. Procuro reter na memória as transparências que teus pincéis sugerem e que acariciam, vaporosas, a superfície da tela.

Distante de teus quadros e em triste desamparo de tanta beleza, me consolo ao descobrir que Deus existe e se revela inteiro e azul nas tuas obras.

 



Escrito por Tere às 21h10
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AMIZADE

 Quanto tempo devo esperar

Por tua mensagem?

Dias, meses, desesperos?

E se ela nunca chegar,

O que faço com tua imagem?

Idealizo-a até o exagero

De julgar-te perfeito?

Ou a falta dela porá fim

À essa infinita dor no peito?

A desilusão, por achar bem feito,

À força a levará de mim.

Não deixarás que eu sofra assim,

Meu amigo humano e sensível!

Achegar-te mais a mim

Não é uma coisa impossível!

Deves ter a certeza

De que pessoas sintonizadas

Encontram-se na nobreza

De uma amizade burilada

Mesmo que a duras penas,

Pela mão de uma mulher serena.

 

 



Escrito por Tere às 14h01
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AS TRÊS

A bolinha de pingue-pongue pingando cá e lá faz-me pensar em minhas duas netas mais velhas. Associação de idéias estranha, essa! Mas é o que me vem à mente.

Lembro-me do dia em que as conheci, há quatro anos: ambas lindas, bonecas de porcelana de olhos castanhos enormes. Minha casa, já meio silenciosa àquela época, iluminou-se toda com o alarido das duas que, curiosas, exploravam tudo e se encantavam com as cachorrinhas maltês: fascinantes flocos de algodão.

A bolinha de pingue-pongue cai, e volto repentinamente para o dia de hoje, sendo observada por meu filho mais novo: um adolescente de doze anos que, de um dia para o outro, começou a falar grosso e a usar desodorante. Ele me lança um olhar indagador, mas quem pergunta sou eu: "Já fez a lição?"

Há quatro anos, naquele dia, ele não tinha lição. Era fim de férias e as meninas acabavam de chegar da viagem a Minas, onde haviam passado um tempo com o pai. E foi durante esse tempo que, um dia, meu filho mais velho, numa adolescência que já agonizava, pousou seus olhos de ternura na mãe delas: mineira loura e falante, irradiando vida que, há dois anos, saíra do primeiro casamento. O namoro corria normalmente, sem nenhum sentimento significativo da minha parte. Meu caçula gostava da cunhada que fazia pão-de-queijo para a hora do jogo da Copa, e isso era tudo. Mas no primeiro dia em que as meninas entraram em casa pingando cá e lá como bolinhas de pingue-pongue, eu soube - com aquela intuição certeira de mulher: elas iriam, sem avisar, me transformar em avó.

Hoje, nem tanto tempo depois, meu caçula já indica, com olhar de "tio a ser respeitado", os modos com que a "sobrinha" mais velha - querendo se fazer de moça aos nove anos - senta-se frente aos amigos. A outra, ainda uma criança de seis, diverte-se em fazer rir a irmãzinha mais nova - outra boneca de porcelana de olhos enormes, linda nos seus dez meses - que meu filho mais velho carrega e exibe com orgulho de pai-coruja responsável, e olhar, às vezes, ainda infantil.

Quando filho e nora querem passear, elas são só minhas, e é a mais velha, com seu sugerido jeito de moça, que usa minhas pinturas e borra as unhas roídas com meus esmaltes. É a "do meio", brejeira e delicada, que desfila oscilante seu andar de bailarina. E é a pequenina, gorducha e esperta, que ri e se agita no meu colo na hora de dormir. É essa meu cansaço, e é a ela que eu amanso com música para, finalmente, fazê-la adormecer.

São elas três a aragem das minhas noites de calor. São elas três - a quem amo igualmente - o movimento, o redemoinho, o fim do meu final de semana, a confusão na casa, o barulho, a bagunça, as tralhas sempre esquecidas em cada canto, as febres, as mamadeiras, as perguntas que embaraçam, os pedidos sem fim, as fraldas, a nobreza coberta de lama, o beijo melado de bala, a carícia sincera, as respostas evasivas, a ostentação da beleza da vida em botão, o sorriso desmanchado por falta de sorvete, os cabelos penteados como os meus, a recordação dos meus ontens...

São minhas meninas, as três! As filhas que não tive e que, prematuramente, abriram as janelas do meu coração de avó.

 

 

Hoje, há também o Nick (Nicholas), um carinho de menino, a quem estou devendo um escrito.

Nathália e Nathasha, há algum tempo, moram com o pai biológico em Minas. Nahália, com 16 anos, casou-se e deu-me um bisneto chamado Tiago, como o tio-avô, que ficou todo cheio de si. Graças a ela sou uma "bisa" prematura também.



Escrito por Tere às 23h16
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MÚSICA INTERIOR

A todos os que apreciam uma boa música.

A madrugada pousa fresca e monótona sobre o respirar do vento que inspira vida à noite.

Insone, recordo ocasiões que nunca aconteceram e que, no entanto, desfilam pela minha lembrança, tão vivas quanto outras reais que, talvez, jamais se repitam.

É que costumo brincar com o tempo e, na pintura desses fatos ocorridos no passado, matizo outros jamais vividos para compor um presente mais colorido, enquanto aguardo o inesperado que o futuro me reserva.

Divago no silêncio frio e não estou só: a música é minha companhia. Mesmo sem nenhum som no ar, estou sempre ouvindo música. É como se houvesse uma constante sonoridade bailando no meu íntimo. Sou preenchida de música. Ouço música de dentro para fora.

No momento,ouço alguém cantando "Eu te amo"- de Chico e Jobim - com um quarteto de cordas ... e me sinto levitar. Nada pode descrever com precisão a lindeza da voz em consonância com os murmúrios quase humanos dos violinos e do cello. Ah! Deus existe!

Enquanto isso, o céu violeta faz a noite cismar com o dia. Meus olhos começam a pesar sonolentos. Sei que, ao adormecer, vou sonhar com essas cordas todas - vocais e instrumentais - conversando entre si num diálogo pleno de harmonia que se evaporará de mim, musicalmente, pelo céu do amanhecer.

Todas as artes elevam o espírito, mas a música é aquela que mais me aproxima de Deus.

Tere Sarmento



Escrito por Tere às 08h09
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IMAGEM

Com as saudades tuas

Brincando na minha mente

Busco, num traçado permanente,

Te fixar em formas nuas.

Sombras a te contornar,

Lápis a te colorir,

No cabelo a imprimir

Um tom mais moreno.

O detalhe rubro no sorriso,

Nos olhos, a cor do sereno.

Capricho no teu ar de pouco siso,

E componho o teu porte independente.

Tua imagem na mente

Eu mantenho

E sigo,

Concluindo meu desenho.



Escrito por Tere às 18h41
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CARTA A HÉLIO DE MORAES SARMENTO

 

Sei que por mais que tente, que capriche, que invente, a resposta - para a qual me elegi porta-voz - não chegará nem aos pés da carta-poema que você nos enviou e, pela qual, todos nós, sem exceção, agradecemos comovidos. Entretanto, incompetência literária à parte, entrego- me à tarefa que voluntariamente me impus com certa alegria. Estava à procura de alguém para quem escrever e sua carta parece que veio de encomenda. Entendi que sua inteligência e sensibilidade irão além dos limites sintáticos dos períodos por mim elaborados e atingirão diretamente a semântica dos versos que a falta de dom impede que aflorem livremente.

Apesar de intitular-me "porta-voz", não posso falar em nome de um grupo, visto que um relacionamento é fato único e exclusivo de duas pessoas somente e, mesmo assim, muitas vezes, cada uma das duas pessoas envolvidas nesse relacionamento sentem-no e interpretam-no de maneira diferente. Ainda assim, percebo o seu modo de se relacionar com meu pai muito parecido com o meu próprio e, daí, o estímulo de lhe escrever.

Gostaria que soubesse, principalmente, que entendo e aprovo sua intenção de guardar na lembrança a imagem física e moral intocada de alguém que se ama. Eu própria teria feito o mesmo, se tivesse podido. Tinha me proposto, inclusive, a não ir vê-lo imóvel em seu leito final, mas as coisas acontecem - por mais que esperadas - de maneira tão abrupta, que acabam por nos envolver e a nos levar embolados na enxurrada dos acontecimentos.

Assisti a tudo e participei de tudo o que agora ficou na minha mente como um sonho (ou pesadelo?). Desde o momento derradeiro, porém, alguma inexplicável química psicológica fez com que os fatos dos últimos tempos ficassem envoltos em sombras, e apenas permanecessem vivas as lembranças intocadas de momentos mágicos muito parecidos com os que você, tão rica e detalhadamente, soube descrever.

Ainda estou um pouco anestesiada com sua partida e não sofro. Chego a sentir muito alívio por sabê-lo finalmente sem dores, mas começo a sentir saudades. Quando estou em sua casa, fico o tempo todo consciente de que ele não está ali. Mas, à tardinha, ponho-me a esperá-lo chegar do trabalho - como costumava fazer até um ano atrás - para iniciarmos infindáveis conversas sobre música, política e religião - nossos temas preferidos -, até ter que voltar para minha casa e vê-lo com ciúmes do meu marido que me tirava da sua companhia.

Como pai e filha, tínhamos um relacionamento melhor do que bom: muito diálogo entremeado de silêncios significativos que nós dois, ambos do tipo retraído, não sabíamos externar mas, como ninguém, sabíamos entender e sentir.

Partilhávamos de igual amor pela música, de idêntica ideologia política - que nos rendeu longos papos - e tínhamos as mesmas incertezas quanto à vida após a morte. Mesmo ele já se encontrando acamado, eu notava que, quando eu chegava, ele acabava se animando com minha tagarelice sobre os últimos acontecimentos pré-eleitorais - os quais eu lia avidamente, inclusive para deixá-lo a par e preencher seus dias tão longos naquela cama. Quanto à vida após a morte, não sei se ela existe - ele também não sabia, mas também não afirmo que não haja(1) - ele também não afirmava. De qualquer modo, espero que, se houver, ele esteja rodeado por Garoto, Vinícius, Elis, Nara, Irvin Berlin, Don Costa e toda essa gente com quem ele gostaria de ter convivido aqui (com alguns ele até conviveu!).

Sua morte não veio interromper nada entre nós. Conhecia- o tão bem, entendia-o tão completamente que, mesmo quando surgirem fatos novos, poderei conversar com ele mentalmente, porque conhecerei seus pontos de vista e suas opiniões sobre tudo. Meu pai, homem tão enigmático para a maioria das pessoas, era absolutamente transparente para mim.

Tenho ainda outro privilégio que não foi concedido a nenhuma das pessoas a quem ele deixou: meus dois filhos, que herdaram do avô, importantes características. O mais velho, além da semelhança física, tem do avô o gênio sereno e retraído, a mesma maneira silenciosa de se comunicar com o olhar, o aguçado senso crítico, a paixão pela vida noturna e a idêntica maneira de andar. O mais novo, além da mesma semelhança física, e apesar do gênio completamente diferente - é irrequieto e comunicativo - já apresenta, com tão pouca idade, a acuidade auditiva do avô, identificando com precisão impressionante as vozes de Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso e outros. Ambos completam a lacuna deixada por meu pai através de suas "azuis maneiras de olhar-me" - só para parafrasear Drummond.

Como você pode ver, a vida, afinal de contas, é mesmo eterna. Meu pai continua a viver um pouco em cada um de nós, seus filhos e netos, que continuaremos a existir em nossos filhos e netos. E, assim, a vida continua, apesar de tudo. . .

___________________

1. Hoje tenho plena convicção da existência da vida após a morte e, somente a crença nela e nas sucessivas reencarnações - como forma de evolução do espírito - deram sentido à minha vida. (Nota da Autora)



Escrito por Tere às 05h29
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O POETA COME AMENDOIM

(Mário de Andrade)

"Brasil amado,

Não porque seja minha pátria.

Pátria é acaso de migrações...

e do pão nosso onde Deus der.

Brasil que eu amo...

Porque é o ritmo do meu braço aventuroso,

o gosto dos meus descansos,

o balanço das minhas cantigas,

amores e danças.

Brasil que eu sou

porque é a minha expressão

muito engraçada,

porque é o meu sentimento

muito pachorrento.

Porque é o meu jeito

de ganhar dinheiro,

de comer e de dormir."



Escrito por Tere às 00h32
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Trabalho

Tenho o maior orgulho da minha profissão!

Quando era mais jovem, achava que depois dos filhos, o trabalho era o que havia de mais importante na vida e fui fundo nessa idéia. Comecei a trabalhar muito cedo, antes mesmo de terminar a faculdade, e meu cotidiano foi dificultado pela chegada do primeiro filho - com todos os cuidados de que um bebê necessita - excesso de aulas, serviço de casa e o estudo. Eu amava lidar com os alunos, ensiná-los, ajudá-los em suas dificuldades de adolescentes, colaborar com sua formação para a vida e orientar seus pais; porém, gastei toda a minha mocidade e grande parte da vida adulta trabalhando e estudando para trabalhar mais e melhor. É claro que sentia muito prazer no que fazia, mas exagerei! Eu não tinha tempo para nada, nem para mim mesma. Minha mãe vivia se queixando de que não conseguia falar comigo nem ao telefone!

Meu círculo de grandes amigos cansou de esperar nos fins-de-semana e feriados, que eu terminasse de preparar aulas, elaborar apostilas e corrigir provas. Aos poucos, foram se afastando, a vida passando - rápido demais - e eu, cega aos acontecimentos que me circundavam e completamente sem ciência do que acontecia com meus sentimentos e relacionamentos. Era muito ocupada! Não tinha tempo!

O filho cresceu, já estava com quase doze anos - começando a dar os trabalhos comuns à puberdade - e eu, perdida entre as orientações que tinha que lhe dar, os papéis de escola, os livros do curso de pós-graduação e as tarefas domésticas, demorei a perceber que ia ter o segundo filho, tão esperado!

Entre tudo o que fazia, tinha que desistir de alguma coisa para dar atenção ao neném que ia chegar - e o curso de Pós-graduação foi abandonado quando eu já ia elaborar a tese. Achei que o concluiria tempos depois. Não o concluí. O trabalho não deixou!

Quando meu pai faleceu, apesar de eu ter acompanhado de perto toda a sua agonia e ter-me revezado (fazendo o turno da noite) com minha mãe e minha irmã - cuidando dele até o fim - não tive tempo nem de chorar!

Hoje, madura, acho imprescindível ter um tempo ocioso. E não estou falando de férias! Quando em férias, temos tantos assuntos pendentes para resolver, que nem as vemos passar. Falo de um tempo ocioso a cada dia. Um momento a sós com nós mesmos para simplesmente pensar e, assim, reavaliar atitudes, rever concepções, prestar atenção em como está nosso interior e verificar se estamos sabendo lidar bem com nossas emoções.

Em decorrência desse atual "tempo ocioso" que agora me obrigo a ter, notei que muitos sentimentos se modificaram, o foco da minha atenção mudou de mira e que o que parecia tão importante, na verdade, não era tão necessário assim. Atentei para o fato de que a felicidade plena, aquela que existe, sim! e que deriva do fato de amarmos e sermos amados incondicionalmente - e para a eternidade - não aconteceu. Nem ao menos tive tempo de procurá-la.

Não chego a ser uma pessoa amarga ou arrependida por ter levado muito a sério a vida que prematuramente escolhi. Acho que fiz o certo, embora com demasiado desvario! Realizei muitas coisas, ajudei muita gente a aprender como lecionar, ministrei aulas a uma legião incontável de alunos que, por sua vez, me ensinaram bastante também, criei meus dois filhos com muito amor e desvelo e até tive momentos felizes. Enfim, acho que fiz bastante, mas terei feito todo o essencial?

Em nome de tudo o que realizei trabalhando compulsivamente, quanta coisa não deixei de fazer, de ser e de ter? Afinal, tempo é uma questão de prioridade e, sem que me desse conta, priorizei aquilo que me escravizou. As prioridades se alternam e se modificam no decorrer da vida e precisamos estar alertas a isso.

Apesar de ter sido sempre muito preocupada em não cometer injustiças, temo ter praticado desrespeitos, ao negar - sem perceber - minha atenção a muita gente que a merecia; talvez não tenha retribuído, na mesma medida, a delicadezas que recebi de pessoas sinceras; posso não ter estado atenta a pequenos detalhes que alguém que me amava disse - e que poderia ter sido mais útil do que um sermão; apavora-me pensar que possa ter sido omissa com seres humanos ou situações; e, o mais importante: não me dei conta do que acontecia dentro de mim - tudo por falta de tempo!

Não que eu seja contra o trabalho! Muito pelo contrário! Quando sem trabalhar, ficamos desatualizados, nossa criatividade trava e o tédio toma conta do nosso dia-a-dia, além de termos a deprimente sensação de inutilidade.

Defendo o trabalho com ardor! Aquele trabalho para o qual se tem talento e que, por isso mesmo, é feito com prazer, amor, dedicação, responsabilidade e até com uma certa dosagem de perfeição, mas sem a famigerada compulsão que acaba por destruir tudo o mais que existe ao redor. Hoje, estou ciente de que ela ergue um muro entre o trabalho e o mundo.

Esse "ócio" diário de que falo não tem aquele sentido pejorativo relativo à preguiça. Refiro-me a um tempo destinado à música, à poesia, a olharmos para dentro de nós mesmos, e que equivale a uma autoterapia valiosa para que ainda possamos nos voltar para coisas relevantes que tenhamos deixado de fazer, e outras, também relevantes, que tenhamos deixado de ter e de ser. Há que se ter disponibilidade para pensar, observar, sentir, expressar os sentimentos sem racionalizá-los, olhar ao redor, dar atenção às pessoas, agir, crescer e evoluir.

Acho que, na minha vida, ainda posso ter esperanças. Há tempo para conSertos ( e conCertos!).

Apesar de não saber se você, meu leitor, é mais velho ou mais jovem do que eu, fico curiosa em saber se já acordou para a realidade que acabei de expor ou se, por absoluta falta de tempo, só daqui a alguns anos, quando não for mais uma pessoa extremamente ocupada , venha a ter momentos para estar a sós.

Voltará, então, num retorno que não se dá em espaços, mas por dentro de si mesmo - no mistério do tempo que cada um leva para se reencontrar - e, ao refletir, constatará - em desespero - que já é tarde demais...

Terezinha Sarmento

 



Escrito por Tere às 23h04
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DOCE SAL

                                             (Para Caetano Veloso)

Sentes o sol

Em profunda solidão.

Sopra o vento,

Dança o mar,

E tu sentado

Sobre a salina

Que cega.

Serás um sábio meditando?

Ou terás vagando o pensamento?

Olhas o céu.

Receio que, sem saber,

Reflitas sobre salmos ou sereias.

Pressinto que sentes

A minha presença

Aí a te assombrar.

Sereno, desces o olhar até mim

E me concedes um sorriso

Sem som.

Vens da salina

Todo sal

Todo sol

E me surpreendes

Com um beijo doce.

(Tere Sarmento)



Escrito por Tere às 18h09
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Meu blog faz hoje, 9 de agosto de 2006, 1 ano de vida. Não sabe nada ainda. Falta-lhe experiência e sabedoria. Contrastando com sua pouca idade, publico trechos de uma carta que enviei a uma pessoa muito querida que aniversariou ontem, completando 50 anos de existência.

 

 

 

Feliz aniversário!

Completar 50 anos hoje em dia – em que a expectativa de vida ultrapassa os 70 - é como renascer com uma história mais feliz. É uma bênção: Bodas de ouro com a existência terrena.

Essa é a melhor idade: mais experiência! A gente já sofreu o suficiente para que, se houver alguma notícia desagradável, poder-se dizer: “Já vi esse filme antes”. Na verdade, não há mais novidades ruins. Se acontecer uma e você se surpreender, é porque não aprendeu.

Os pais, a escola, a faculdade, os irmãos, os filhos e netos, os amigos, os inimigos (se existirem), os alunos, os amores mal sucedidos, as decepções, as desilusões, os fracassos, as perdas, a vida, enfim, ensinam.  Devemos aprender com eles. Cinqüenta anos não são cinqüenta dias!  Acaba a fase de aprendizagem e começa a fase da sabedoria. Espero que você não seja reprovada em nenhum ano para não tardar sua aprovação. Não tire um diploma tão suado! Estude e aplique-se mais, organize-se, leia todas as apostilas e livros do curso da vida para não pegar reforço ou recuperação...e formar-se na idade correta.

Como espírita convicta que sou, aprendi – ainda que a duras penas – que não devo cumprir o carma de ninguém. O meu já é suficiente e ainda não acabou, pois moro aqui na Terra. Cada um nasce com a sua cruz. Que a carregue com classe!

Enquanto somos bebês, crianças e adolescentes, os pais, os professores e outros parentes nos ajudam e nos ensinam, dão-nos as condições de que precisamos para termos força para carregá-la. Se não conseguimos observar esses ensinamentos ou nos desviamos deles, a culpa é nossa. Aprenderemos depois com os acontecimentos da vida, que é a melhor escola, infelizmente. O sofrimento é a mais triste e eficiente forma de amadurecimento e evolução. Temos que quebrar a cabeça para isso. A revolta só atrasa essa lição. Tem que haver mais sofrimento para que, finalmente, entendamos as equações a nós designadas por Deus. Por isso, não condicione sua felicidade à minha. É romântico, mas não é justo. Eu já sou feliz e estou em paz.  Não quero que, para minha felicidade ser completa e absoluta, eu tenha que depender da sua, embora esteja desejando-lhe todas as alegrias do mundo. Quero que seja feliz com as escolhas que fez, ou que ainda vai fazer - porque há tempo - e com a modificação de seus caminhos, se for o caso. Sempre há espaço para mudanças: lembre-se do livre-arbítrio. Pense, todos os dias, que o melhor ainda está por vir e aja para que ele aconteça. Não espere que as coisas caiam do céu. Não caem!

Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Temos que           aprender a nos bastar. Todos os relacionamentos que temos aqui são circunstanciais e, a maior parte deles, é resgate de vidas passadas. Por isso, devemos ser tolerantes com as pessoas que nos rodeiam. Elas não são colocadas na nossa vivência por acaso.   Agora, realmente entendo isso, o que é muito bom!

Nunca deixe de sonhar (com os pés no chão!) porque “o sonho é o rascunho da realidade” (eu tinha que citar minha frase!).

 

Beijo, continue sendo minha amiga de afinidades musicais. Sorte tê-la encontrado nesta vida.

 

Tere

 

 



Escrito por Tere às 02h14
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LONGO OLHAR

Penso longe, penso além...

Porque partiste

Ficou um olhar longo nos meus olhos posto

Olhar triste

De quem exibe no rosto

As horas de abandono

Perdidas em poesias vãs.

Na minha vida, o outono

Amadurece os amanhãs,

E penso além ainda:

Quando, enfim, esta estação estiver finda

E o inverno, ao chegar, me encontrar só,

Terei nos olhos o mesmo olhar longo,

Ou a minha vida a sós

Com renovadas esperanças alongo,

Para poder te ver no fim do inverno

Já com neve nos cabelos, mas eterno

(No teu jeito de ter coração)

A me dizer que não esperei em vão?

 



Escrito por Tere às 13h33
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Meus amigos,

Estive por uns dias em São Paulo, na casa da Teresa Venegas Vargas, minha amiga de afinidades e sintonias há vinte anos.

Lá, encontrei um texto sobre a mesinha lateral da sala e o li. Fiquei impressionada! Era de seu filho mais novo, FERNANDO VENEGAS VARGAS, que havia completado seu 28º ano de vida no dia 9 de junho. Pedi-lhe que me enviasse seu escrito por e-mail. Passo a publicá-lo agora, tal e qual me chegou:

 

Reflexões sobre a minha vida

Ontem cedo (bem cedo!), a caminho do trabalho, ia pensando sobre a minha vida e quanto aprendi com ela.

Chegando lá, apesar de ter o hábito de subir de escadas até a minha sala, peguei o elevador. Comigo entraram alguns alunos e, entre eles, uma garota de aproximadamente 15 anos que se virou para mim, dizendo: "Tio, o senhor..."

Isso fez com que, fatalmente, eu me lembrasse dos meus 28 anos. Puxa, como passa!

Por coincidência - se é que ela existe! - um amigo de trabalho veio me trazer, logo depois, um texto do filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, por quem tenho grande admiração.

Incrivelmente percebi que no texto que passei a ler estava resumido tudo o que eu, no meu íntimo, vinha refletindo desde o começo do dia.

Quando somos crianças (sinto isso até hoje!) é comum ficarmos irritados, preocupados diante de uma situação de desafio. É aí que pensamos: por que já não nascemos prontos, sabendo de todas as coisas?

Acontece que é fundamental não nascermos sabendo e tampouco prontos.

O ser que nasce sabendo não terá novidades, só repetições. Como seres insatisfeitos que somos, precisamos ter alguma dose de ambição. O ambicioso quer mais e melhor, incluindo aí, ser melhor como pessoa, evoluir em todos os sentidos; o ganancioso é diferente: quer ter o melhor para si próprio, nada evoluído como pessoa, portanto.

Nascer sabendo passa a ser limitação para criar, inovar, refazer, transformar. Quanto mais se nasce pronto, mais somos reféns do que já se sabe, isto é, mais ficamos no passado.

Aprender sempre é o que impede que nos tornemos prisioneiros de situações inéditas; é o que nos motiva a melhorar, a evoluir.

Se estivermos desprevenidos diante de novos desafios, seremos incapazes de enfrentá-los e de, conseqüentemente, superá-los, livrando-nos do passado.

Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na idéia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica. Para que alguém que quanto mais vivesse mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando.

Isso não ocorre com gente, e sim com fogão, sapato, sofá. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo. Eu, na data de hoje, sou a minha mais nova edição, revista e, às vezes, em pouco ampliada. O mais velho de mim, se é o tempo a medida, está no meu passado e não no meu presente, o que realmente é um presente em todos os sentidos.

Demora um pouco para entender tudo isso.

"Valeu a pena?

Tudo vale a pena se a alma não é pequena". (Fernando Pessoa)

Aliás, como falou Guimarães Rosa:

"Não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro..."

Agradeço muito as pessoas que fazem parte de minha vida, ou melhor, de minha nova edição.

Fernando Vargas

09/06/2006

 

 

 

 

 



Escrito por Tere às 19h25
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Republicação em homenagem ao Dia dos Namorados

Tere

 

À ALMA GÊMEA

Não desejo o teu corpo

Que faz dos outros o porto

Em que chegas qual navio

A ancorar de frio

E a zarpar quando se aquece.

 

Não quero esse beijo que a todos esquece

Quando em outras terras aportas

E abres as tuas portas

A adoçar bocas que amargam a tua.

 

Não anseio por esse amor que atua

Como promessa frágil

E a cada cais, ágil

Um outro amor procura.

 

Não me seduz esse olhar que atura

Por um instante alguma saudade

E, depois, a cada cidade

Se perde indiferente e sem ciúmes.

 

Quero os sentimentos puros que reúnes

Quero ter toda a tua alma

Quero invadir tua calma

Ser a dona dos teus pensamentos.

 

De ti, quero infinitos momentos

Em tua vida não serei mais uma

Contigo quero ser una

Aquela que, sem ciência, ainda esperas.

 

Quero juntar as metades das esferas

De nossas almas que se chamam

E, distraído, não vês que reclamam

O encontro demorado que provocas

 

Sente! Sou aquela que invocas

No vazio do depois das muitas que queres

Não por amares, mas por serem mulheres

Que agradam ao homem, mas não ao seu afeto.

 

Percebe! Quero ser teu teto

Teu amparo, teu abrigo,

E que tenhas comigo

O amor do amante, do amigo, do irmão.

 

Meu querer é de coração

Não de quartos, qual cenário

Decoras de pseudo-amores, solitário

Desenhando corações a giz.

 

Meu amor é um licor de anis

Forte e azul, mas que não embriaga

Espera, desespera e não apaga.

Como a chama da pira, é eterno!

 

Não me importa com quem hoje és terno

Nosso amor já atravessou tantas vidas

Que nesta te espero comovida

A saber antes, o que saberás ainda.

 

Aguardo em paz a tua vinda

Quando me procurarás na certeza

De teres encontrado o verdadeiro amor, a realeza.

Sou eu a tua metade, a luz, a imperatriz

Que um dia e eternamente te fará feliz.

 

 



Escrito por Tere às 22h24
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